“Durante o sexo, ela me contava coisas como o elogio que tinha recebido do chefe”

“Durante o sexo, ela me contava coisas como o elogio que tinha recebido do chefe”

durante o sexoPor : Fabio Hernandez

Meu amigo Fred achava que tinha encontrado o amor de sua vida. Daniella, dizia ele, era perfeita. Repórter da seção de cultura de um grande jornal. Bonita, sexualmente petulante, inteligente. Falava de Proust, de Almodóvar e de artes marciais e não recusava as fantasias de Fred. Piercing no mamilo, que ela dizia deixá-la em estado de contínua excitação, tatuagem de golfinho na virilha esquerda.

Tudo bem que Fred é uma gangorra sentimental, sempre à procura da mulher perfeita, mas sua descrição de Daniella me fez acreditar que aquela história duraria pelo menos algumas semanas. Não durou mais que dez dias. Quando Fred me disse por que tinha demitido uma mulher tão sensacional como Daniella, vi que ele tinha toda razão.

Daniella era a Mulher Tagarela.
Um homem suporta muitas coisas. Dor de dente, congestionamento, jogadores mercenários. Pedágios que se multiplicam, Faustão e Gentili, Marta e Galvão, Big Brother e Lobão. Sogras, juízes de futebol, supermercados sábado pela manhã. É incrível a resistência do homem às calamidades.

O que não dá para suportar é a Mulher Tagarela.
Daniella, me disse Fred, era uma Mulher Tagarela. Seu assunto favorito, como sempre acontece nesses casos, era ela mesma. Daniella se julgava uma eterna manchete. Contava suas histórias com entusiasmo barulhento. Seus olhos se arregalavam ao falar de si própria. A voz se erguia progressivamente entre uma frase e outra como num elevador, até se transformar quase que num grito. Não havia pausa, não havia brechas pelas quais o pobre Fred conseguisse deter o vulcão verborrágico da linda Daniella.

“Tudo bem que a mulher fale antes e depois do sexo”, disse Fred. “Mas durante fica difícil. Não estou falando de conversa sexual. Ela me contava coisas como elogios que tinha recebido do chefe, e de como tinha sido merecido. Eu tinha caprichado nas preliminares e então para ela já estava ok.”

A Mulher Tagarela não tem limites. Simplesmente não consegue ouvir. Depois de escassos segundos de aparente atenção, você nota em seus olhos fugidios que ela não esta ouvindo. Seus pensamentos estão na verdade voando em torno dela mesma. Nada do que você faz é capaz de prender o interesse da Mulher Tagarela.

Fred é um jornalista aspirante a escritor. Contou empolgado a Daniella que uma editora de livros tinha decidido publicar o seu primeiro romance. O primeiro romance publicado de um aspirante a escritor é mais importante que o primeiro sexo ou que a primeira vez que dirige um carro. Ela bocejou e respondeu que a professora de português dizia sempre que ela tinha a melhor redação entre todos os alunos.

Foi quando Fred desistiu.
Fred queria o básico. Nada além do básico. “Ela não precisava nem ler o manuscrito”, ele me disse. “Bastava pedir uma cópia e depois dizer que tinha achado alguns trechos legais.” Nos poucos dias em que estiveram juntos, Fred conheceu compulsoriamente toda a história de Daniella. Detalhes em geral pouco animadores de seus namorados passados. Johnny falhara algumas vezes. Lúcio tinha ejaculação precoce e se recusava a enfrentar a verdade e procurar um médico. Danny Boy gostava de vê-la com outro cara na cama, era um corno feliz. Edu, com certeza, não escovava os dentes. Tavito nunca tinha lido um livro, era um burro. Mundão nem sequer conseguia chupá-la com competência.

A Mulher Tagarela só tem palavras positivas para ela mesma.

Apenas uma espécie se compara a ela.

É o Homem Tagarela.

Sobre o Autor:
O cubano Fabio Hernandez é, em sua autodefinição, um “escritor barato”.

“Ei, você ainda fica com as bochechas vermelhas depois do sexo?”

 “Ei, você ainda fica com as bochechas vermelhas depois do sexo?”

durahte o sexoPor Fabio Hernandez

“Você não mudou nada. Sempre com cara de criança. Sempre calado. Pensativo. Às vezes eu tinha que fazer a pergunta e a resposta para que nossas conversas não morressem.”

Pedro arregalou os olhos e encarou Márcia. Fazia cinco anos que não a via, mas parecia que estivera com ela na noite anterior. Fora a roupa, agora muito mais elegante, ela não mudara nada. Os cabelos pretos como uma noite siberiana de inverso continuavam a escorrer pelas suas costas como uma capa de super-herói.

Os óculos pretos de aro fino, antes sem marca, agora Armani, ainda lhe davam o ar ingenuamente sexy de professora. Os grossos lábios vermelhos sem batom – batom para quê? Um fêmur deslocado aos 15 anos deixara a perna direita de Márcia ligeiramente menor que a esquerda. Pedro adorava vê-la caminhar. Ninguém se movia com tanta graça, achava. O maior espetáculo da Terra. Márcia vestia um tailleur rosa de executiva. Subitamente passou pela cabeça de Pedro a idéia absurda de dizer coisas assim: “Ei, você sabe que eu prefiro você de jeans e camiseta branca, como no passado? Você ainda fica com as bochechas vermelhas depois do sexo? Você pode me deixar ver, pela última vez, aquela tatuagem de golfinho na virilha direita?”

Quantos anos ela já tinha? Trinta? Não, 31. Era quatro anos mais nova que ele. Pensou na Sofia de Machado de Assis. “O tempo, como um escultor vagaroso, a ia esculpindo ao correr dos longos dias.” Uma vez, no primeiro aniversário do dia em que alugaram um apartamento e foram morar juntos, escrevera isso no cartão em que lhe dera as obras completas de Machado em três volumes. Quando o deixou, ela não as levou. Os livros de Machado jaziam desprezados numa estante do pequeno apartamento em Pinheiros. Pedro se perguntou o que Márcia teria feito do cartão. Provavelmente o jogara fora, pensou. Ela jamais guardara nada, ao contrário dele.

Ele era médico pediatra, ela gerente comercial de uma editora de revistas. Ele fora um aluno dedicado e em certos anos brilhante, ela estudara sempre apenas o suficiente para passar. Às vezes, nem isso. Mas é possível que ela fosse mais inteligente que ele. A pior parte da vida de médico, para ele, era ser chamado de doutor. Doutor Pedro. Achava pomposo, achava ridículo. Pedia a todos que o chamassem simplesmente de Pedro. “Você deve ter achado estranho eu aparecer depois de tanto tempo, não é, Pedro? Telefonar e marcar um almoço exatamente nesse restaurante.”

Esse restaurante. A cantina Speranza, na Bela Vista. Freqüentavam com assiduidade nos bons tempos. Um restaurante charmoso e barato, bom para gente de dinheiro contado como ele ontem e hoje e para ela ontem.

“Você nunca quis ir a outros restaurantes. Sempre a Speranza, sempre a lazanha à romanesca, sempre a Coca-Cola, sempre a musse de chocolate. A primeira coisa em que eu reparei hoje foi o seu pedido. Lazanha e Coca. Se pelo menos fosse Coca zero. Quase que eu falei quando o garçom anotou o pedido: e musse de sobremesa para ele. Pedro, Pedro, você nunca vai mudar?”

Pedro achou no tom de voz de Márcia alguma coisa que sugeria que ela podia estar à beira de lágrimas ou gargalhadas. Não estava preparado para lágrimas. Preferia gargalhadas. Era mais fácil enfrentá-las.

“Eu precisava dizer certas coisas. Coisas que não foram ditas.”

Pedro fez um gesto com as mãos como dizendo que não, ela não tinha que lhe dar satisfação nenhuma. Algumas palavras talvez tivessem importância num passado já remoto, não agora.

“Quando eu decidi ir embora, sabia que não conseguiria falar com você. Olhar para você e dizer adeus. Mas imaginava escrever uma carta que explicasse tudo. Aí eu peguei a caneta e… e nada. A gente pensa que certas coisas são mais fáceis de escrever do que de dizer, mas isso é uma ilusão.”

Passou rápido por Pedro a lembrança de que Márcia jamais fora, mesmo, uma boa redatora. Estudara jornalismo, mas depois se fixara no departamento comercial de uma revista. Vendia anúncios com competência, mas tinha problemas sérios com o português. Tinha o maior atributo de um bom vendedor: a simpatia instantânea.

Ela tirou os óculos e os pôs na mesa. Era um sinal, Pedro sabia, de que estava emocionada. Era como se a vista turva a ajudasse a enfrentar melhor certas situações difíceis. Pedro sentiu uma súbita e absurda vontade de pedir a ela que caminhasse pelo restaurante, para ver aquele andar inigualável e majestoso em sua leve oscilação, mas tinha noção do ridículo de tal pedido e permaneceu calado.

“Não sei quantas vezes iniciei um bilhete de explicação e rabisquei tudo. No fim desisti. O silêncio era mais digno do que uma carta vulgar de despedida, cheia de lugares-comuns e de erros de português.”

Uma amiga de Márcia lhe telefonou, um dia, para dizer que ela decidira sumir um pouco para pensar na vida. Deixar o emprego, deixar o namorado, deixar a cidade, deixar tudo. A amiga disse que ela fora viajar para ninguém sabia onde. Pedro dormira depois, algumas vezes, com essa amiga. Aprendeu ali que o sexo pode ser sinônimo de desespero. Naqueles dias, Pedro só se sentia vivo quando estava dentro de uma mulher.

Alguns meses depois da partida de Márcia, Pedro a viu numa coluna social, mulher de um homem 20 anos mais velho que ela, Luciano. Ele era um figurão do mundo publicitário. Conquistara leões de todas as espécies em Cannes e era sócio de americanos numa grande agência. Márcia era sua segunda mulher. Pouco mais de uma ano depois, leu também numa coluna social que Márcia e Luciano tiveram um filho. Quase desesperara ao sabê-a perdida, perdida para sempre, mas um dia atendeu uma criança com leucemia e compreendeu que seu problema até que era pequeno. Não sabia como dizer àqueles pais pobres e desesperados que em dois anos seu filhinho estaria morto.

“Quando nós fomos morar juntos, eu pensei que era para sempre, Pedro. Mas tudo mudou, depois. Você, Pedro. Você mudou, cada vez mais monomaníaco. Primeiro ouvia músicas variadas, depois só Nirvana, depois só o Acústico do Nirvana, depois só My Girl. Deus, às vezes passo dias sem conseguir tirar essa maldita música da cabeça.” Cantarolou um trecho, desafinada como sempre. Ninguém é perfeito, pensou Pedro.

Ocorreu a ele que não poderia haver prova de amor maior do que gostar de ouvir cantar uma mulher desafinada. E ele gostava de ouvi-la. “My girl, my girl / Don’t lie to me / Tell me where did you sleep last night.”

A história da música, sabia Pedro, era a história deles dois, a história de milhares, milhões de casais, aqui, ali, em todos os lugares. A falência de um romance, a tristeza, o desamparo, a perplexidade. Sempre a mesma história. Ridícula achar que um caso de amor possa ser especial, quimera vã e despropositada de amantes pretensiosos. Ocorreu a Pedro que Márcia entrara no restaurante acusando-o de não ter mudado em nada e agora o acusava de ter mudado em tudo. O que poderia chamar de caso sem solução.

“Depois foram os livros. Você lia tudo, me fez ler até Guerra e Paz. Demorei seis meses, mas consegui. Depois só Machado de Assis, depois só conto, sei o nome, Um Capitão de Voluntários. Quantas vezes você leu esse conto? Cento e oitenta, 320? E ainda dizia que era um conto menor do Machado de Assis. Menor! Eu comecei a ficar com medo. Eu tinha medo de você. Ainda tenho. Você pode imaginar o que é, de repente, descobrir que o homem com quem você dorme é um desconhecido? Um… um… um lunático?”

Márcia olhou para um jovem casal numa mesa ali perto. Estavam completamente entretidos um com o outro. Por baixo da mesa ela tocava os pés dele. De tempos em tempos ele se erguia parcialmente sobre a mesa para beijá-la.

“Parece que estou vendo a gente alguns anos atrás. Acho que um relacionamento começa a terminar quando as conversas começam a terminar. Aquele casal ali. Parece que eles poderiam conversar dias, anos sem parar. Sabe do que eu mais sinto saudade? Das nossas conversas do início. Eu gostava tanto do som da sua voz dizendo meu nome.”

Márcia fez uma pequena pausa como para se lembrar de alguma conversa que tivera, no começo, com Pedro. Depois prosseguiu. “Que coisa mais absurda ter 20 anos e acreditar em palavras tolas e sem sentido como amor. Ora, o amor. Devia estar escrito assim em todos os dicionários. Amor: o mesmo que ficção. E cuidado ao usar porque machuca.”

Márcia começou a chorar baixinho. Pedro pensou em abraçá-la, confortá-la, mas viu o absurdo de confortar quem vencera o embate entre os dois, a parte vitoriosa, a mulher que o abandonara para crescer na vida. Ele era, ali naquela mesa, o derrotado. Ao fim de alguns segundos, ela já se recuperara. Os olhos verdes estavam levemente avermelhados. E só.

“Não sei se isso tem importância, mas eu só comecei a namorar o Luciano depois que deixei você. Enquanto nós estávamos juntos, sempre fui fiel.”

Fiel. Que palavra mais ridícula, pensou Pedro. Ninguém é fiel a ninguém. As pessoas só são fiéis a si próprias. Às vezes, nem a elas mesmas. Pedro achou pelo tom de voz de Márcia que ela pronunciara a palavra fiel como se julgasse merecer uma condecoração.

“É verdade: nunca dormi com ninguém quando estávamos juntos. Eu… eu simplesmente não tinha a menor vontade.”

Era a Márcia de sempre, pensou Pedro. Usava “dormir” como sinônimo de copular. Podia ser pior, ele sabia. Márcia podia preferir “fazer amor”. Falava de Luciano como se fosse um velho conhecido de Pedro.

“Não podia terminar bem. Você parecia não gostar mais de nada, só de ler Machado de Assis e escutar o Nirvana. Eu tinha uma festa, você não ia. Queria ver um filme, você não ia. Pareço está ouvindo o que você dizia de cinema. Cultura de preguiçoso. Quem não tem preguiça de lê livro. Quem tem vê filmes. Você sempre foi tão cínico. Mesmo agora. Eu falo essas coisas todas, tão importantes para mim, tão duras que levei cinco anos para conseguir dizer, e você me olha impassível, com um sorriso pregado no canto dos lábios. Eu nunca atingi você, não é, doutor Pedro?” Ela acentuou a palavra doutor. “Me pergunto quantos dias você demorou para perceber que eu tinha ido embora.”

Pedro achou que não era o momento de falar no quanto sofrera. Não ia falar no dia em que pegara uma tesoura e, num acesso de fúria, rasgara todas as fotos do dois. Como sempre, quem precisava falar era ela, não ele. Reparou que ela não tocara na comida, uma salada de salmão acompanhada de água sem gás. Tudo bem, Márcia não fora ali para comer.

“Ainda no dia anterior eu esperei alguma coisa, um gesto, um sinal que mostrasse que eu tinha alguma importância pra você. Que você me achava tão importante quanto My Girl e um Capitão de Voluntários. Mas nada. Você tinha se refugiado num mundo no qual eu não conseguia entrar. A sua indiferença me magoava mais do que tudo. Mais do que as espinhas que eu tive aos 14 anos. Mais do que a tentativa de estupro que eu sofri de um primo meu aos 16.”

Pedro demorara algum tempo para entender que essa indiferença fingida era apenas uma autodefesa errada e inútil. Sabia que perderia Márcia, algum dia, para alguém mais adequado que ele. Um homem que a levasse para dançar, para viajar, que a fizesse sorrir. Alguém como Luciano. Pedro sempre olhara Márcia de cima para baixo, uma perspectiva que só poderia mesmo levar o casal ao colapso. Márcia e Luciano parecem feitos um para o outro. Dois vitoriosos, que se olhavam de igual para igual. Pareciam tão felizes, os dois, nas fotos das colunas sociais.

Por saber que a perderia, Pedro construíra um mundo ao qual Márcia não pertencia. Uma tolice, sabia agora, mas a vida é exatamente isso, uma sucessão interminável de tolices. E a gente só percebe que cometeu um erro grave num relacionamento depois que já é muito tarde para corrigi-lo.

Sobre o Autor:
O cubano Fabio Hernandez é, em sua autodefinição, um “escritor barato”.

 

Nós também gostamos (muito) de sexo casual

Nós também gostamos (muito) de sexo casual

Por Nathali Macedo

sexo casual“Não foi bom pra você?”

Eis a pergunta que funciona como um soco, um banho de água com gelo, um desesperador aperto na parede.

Bem, foi bom. Mas não é bom que se queira saber se foi bom – especialmente quando a pergunta provém da insegurança.

Sim, foi bom. Eu só prefiro dormir sozinha. É que eu me espalho demais e não gosto de cheiros estranhos na minha cama. De alguma maneira eu a ocupo inteira. Seria muito cafajeste te pedir pra ir embora agora?

Uma porta fechada e um abismo de paranoias: como assim uma mulher que só quer sexo casual?

Pois é, camarada. Não deve ser fácil crescer em um mundo em que te fazem acreditar que toda mulher dedica sua existência a lhe colocar um bambolê no dedo esquerdo, adora flores e conchinha, e, no auge dos vinte e poucos, encontrar alguém que te peça licença em plena madrugada depois de orgasmos bem aproveitados e gemidos incontidos.

A impressão que eu tenho – enquanto uma dessas mulheres estranhas às projeções da maioria – é que o estranhamento de alguns homens diante de uma mulher que transa casualmente é tamanho que se torna uma questão de honra conquistá-la.

Não para tê-la – longe disso! – mas pela ânsia de provar a si mesmo que você não estava errado. Seu pai não estava errado quando disse que as mulheres são carentes, românticas e emocionalmente dependentes. Seus amigos não estavam errados quando disseram “cuidado, aquela ali é louca!” para todas as mulheres que quiseram qualquer envolvimento fora dos lençóis.

Não é desejo, camarada, é estranheza. É ego. É honra. Porque “como assim uma mulher não quer namorar? Tudo bem que não queira ir pro altar, mas nem um cinema? Nem um filme no domingo? Nem conhecer a minha mãe?”

É difícil admitir, mas, nos próximos anos, será a única escolha viável.

Uma mulher que lhe fecha a porta e só te liga quando tem vontade não é apaixonante – e nem desapaixonante. É só uma mulher que, como você, quer prazer.

Não quer se apaixonar, não quer receber chocolates, nem declarações, nem apelidos, nem jantar com a sogra. Só prazer, como você tantas vezes quis em sua vida.

E se foi isso que os homens talvez sempre esperaram de nós, não tem espanto: porque agora é isso que nós esperamos de nós.

Todos nós queremos prazer. Só falta (a alguns) aceitar.