“Digamos que eu tenho um passado muito negro”, diz Andressa Urach

andressa urachh“Digamos que eu tenho um passado muito, muito negro que a imprensa não sabe. Muitas coisas eu inventei para ficar famosa”. A afirmação é da modelo Andressa Urach, entrevistada desta quinta (2) por Gugu Liberato.

Andressa conta as mudanças em sua vida após ter graves problemas de saúde em decorrência do uso de hidrogel no corpo. Há menos de um mês, ela passou por nova cirurgia e ficou hospitalizada por 10 dias. “Estou tão feliz de ser outra pessoa. Se eu pudesse apagar o passado eu apagaria, mas não tem como”, disse.

Morando com seu filho, Arthur, de nove anos, que vivia com a avó materna, Andressa diz que “nunca é tarde para aprender a ser mãe”. “Ele vai fazer 10 anos, a gente vive uma relação mãe filho”, diz a loira, que comenta ainda as polêmicas envolvendo seu nome.

A modelo promete fazer outras revelações em uma autobiografia, que pretende escrever em breve.

Andressa se converteu ao evangelismo da igreja Universal do Reino de Deus após complicações de saúde por conta da aplicação de hidrogel e PMMA para realçar suas curvas nas pernas e bumbum. Em dezembro do ano passado, ela passou 25 dias internada na UTI do hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, e chegou a ficar em coma com quadro de assepsia aguda por conta da inflamação nas pernas.

Da redação com, UOL

Maluf, o simpático tirador de sarro

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Por Amorim Sangue Novo

O deputado Paulo Salim Maluf, sempre com sua simpatia irradiante, disse no programa CQC de segunda (23/04) que nunca desviou dinheiro público.

Maluf disse ainda que viajou para alguns países com passaporte corporativo.

Para quem não sabe, o deputado está impedido de sair do país, sob pena de ser preso lá fora, por isto mesmo fico aqui pensando: Como pode o Maluf sair Brasil e não ser preso? Será que é por sua simpatia ou tem dinheiro “rolando na parada”?

A carreira de Maluf é marcada por seguidas acusações por corrupção, entretanto contra ele não figura nenhuma condenação por prática de crimes na modalidade dolosa – onde há intenção de praticar delito – ou enriquecimento ilícito, o que o permite continuar disputando eleições, na visão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do Tribunal Superior Eleitora. No ano de 2005 foi preso preventivamente, acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, sendo posteriormente inocentado pelo Supremo Tribunal Federal por não haver base legal ou jurídica no processo. Em 2010, foi inserido na lista de procurados pela Interpol, em razão de mandado expedido pela promotoria de Nova Iorque, que o acusa de movimentar ilicitamente milhões de dólares no sistema financeiro internacional sem justificativa fundamentada. Em virtude dessa ação, Maluf decidiu processar o promotor norte-americano Robert Morgenthau, por considerar que o alerta vermelho do órgão foi emitido de maneira ilegal.

O que não se pode negar é que, Paulo Maluf, com seu sorriso constante estampado no rosto e sua simpatia irradiante, contrasta com alguns políticos antipáticos e, como se diz na gíria, “metidos” do PPS, que é o seu partido e outros.

Sugiro que todos eles se mirem no Maluf, pois um dia eles poderão ter que deixar o país ou até a cidade.

Do Movimento dos Sem Universidade direto para a graduação

Jaqueline

Por Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual
Negra, do extremo leste de São Paulo, ex-aluna de escola pública. São algumas das características de Jaqueline Ferreira da Costa, de 18 anos. Ela, no entanto, tem preferido se identificar de outra maneira desde janeiro deste ano: estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Depois de muita dedicação, a jovem que trabalhava nas ruas da cidade segurando placas de anúncios de apartamentos conquistou uma vaga em uma das universidades mais concorridas do país.

“Eu achava que nunca conseguiria entrar em uma federal, que não tinha nível para isso. Eu sabia que a minha escola não me preparava o suficiente. Foi uma alegria muito grande”, conta Jaqueline. Durante o ano passado, enquanto cursava o terceiro ano do ensino médio à noite, ela fez cursinho pelo Movimento dos Sem Universidade (MSU), que oferece pelo menos 1.200 vagas em diversos bairros da periferia de São Paulo. As aulas e o material didático são gratuitos. As inscrições estão abertas, pelo site www.msu.org.br. “Eu não tinha nem computador em casa, fui ver o resultado em um telecentro. Eu não acreditava que tinha sido aprovada.”

Com um ano inteiro de dedicação, ela dobrou sua nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em relação à primeira vez que tinha prestado a prova, em 2013, ainda como treineira. “Eu adorava as aulas de redação. Tanto que consegui passar de 400 pontos para 800 (em uma escala de 1.000 pontos). O tema foi publicidade infantil e eu estava super por dentro, porque tínhamos pesquisado e escrito sobre isso no cursinho”, conta. “Os professores eram estudantes da Universidade Federal do ABC, já perto de concluir o curso. Eu achava eles tão inteligentes que pensava que se tivesse que ser assim para passar nunca ia conseguir. Mas estou aqui.”

Desde 2010, o Enem tem sido a principal forma de ingresso nas universidades federais e nos institutos tecnológicos, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), uma estratégia do Ministério da Educação para democratizar o acesso à educação superior pública. Metade das vagas é reservada, desde 2012, para estudantes que cursaram o ensino médio integralmente em escola pública, pela Lei de Cotas.

Atualmente, 40% dos estudantes das universidades federais e 46% dos alunos dos institutos federais de tecnologia são oriundos da escola pública. Só entre 2013 e 2014, o total de vagas nas universidades federais cresceu 9,8%, sendo que a oferta para cotistas cresceu 38%, de acordo com o Ministério da Educação. “Decidi focar só no Enem porque me daria oportunidade em todas as federais. Fui a primeira da minha família a estudar em uma universidade pública. Era um grande sonho. Tenho uma prima que também conseguiu estudar Pedagogia com bolsa integral do Prouni. É um orgulho para a família”, conta Jaqueline.

Filha do meio de uma auxiliar de limpeza e de um autônomo, e com renda familiar de R$ 1.000, Jaqueline trabalhou durante um ano segurando placas de anúncios de empreendimentos imobiliários nas ruas da cidade para ajudar a mãe nos gastos com seu estudo. “Trabalhava de sábado e domingo e ganhava R$ 35 por dia, mas era muito ruim: tinha que ficar oito horas no sol, em lugares que muitas vezes não tinha nenhum comércio perto. Não dava nem para ir ao banheiro. O bom era que eu usava esse tempo para ler e estudar”, conta a fã de Sherlock Holmes e de livros sobre a Segunda Guerra Mundial.

Desde que foi aprovada, a vida mudou totalmente: ela saiu da casa dos pais e passou a viver um quarto em república estudantil com mais 15 meninas em Guarulhos, onde está localizado o campus da Unifesp. “Minha mãe ficou muito feliz, mas depois de receber a notícia começou a calcular o quanto gastaríamos. Hoje, ela tem gasto mais comigo do que com toda a família.” Jaqueline aguarda uma bolsa nos programas de permanência estudantil do governo federal, que oferecem auxílio para moradia, alimentação e transporte. “Tudo tem sido muito grande. Se esse não for o maior momento de aprendizagem da minha vida não sei qual mais será.”

As mudanças também vêm de dentro: “Tive só um mês de aulas, mas já comecei a ler os livros que os professores indicaram para o semestre. Eu leio e digo: caramba! Isso se encaixa na minha vida! Eu me reconheço aqui. Já me vejo, daqui a quatro anos, uma socióloga muito crítica”, diz Jaqueline, que demonstra um interesse especial pela área de antropologia. “O pessoal aqui é muito diferente dos meus amigos da escola. Eles têm a cabeça aberta para muitas coisas, mas para outras não. Às vezes, são um pouco distantes da minha realidade. Mas também é um processo sociológico: o estranhamento e depois a compreensão”, analisa a futura cientista social.

Publicado originalmente no Brasil/247