Humoristas argentinos fazem paródia do depoimento de Lula a Moro

”Tem algum contrato, algum recibo, uma transferência bancária? Tem alguma coisa?”, questiona o ex-presidente, em inversão de papeis. “Não. Por isso lhe pergunto…”, responde Moro.”


Dois humoristas do grupo argentino Cejitango fizeram uma curiosa paródia do diálogo em que o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, toma o depoimento do ex-presidente Lula, a quem condenou à prisão. Na audiência, realizada em 10 de maio de 2017, o petista nega reiteradamente ser dono de um tríplex no Guarujá. litoral paulista que, segundo Moro, foi o instrumento por meio do qual o petista praticou corrupção e lavagem de dinheiro.

No vídeo, que tem pouco mais de um minuto, chama a atenção a proximidade entre as faces dos humoristas, com close na conversa a realçar a cômica expressão facial dos interlocutores. O personagem Moro insiste por mais de uma vez e tenta arrancar uma confissão de Lula, com armadilhas verbais, mas esbarra na mesma resposta.
Tem algum contrato, algum recibo, uma transferência bancária? Tem alguma coisa?”, questiona o ex-presidente, em inversão de papeis. “Não. Por isso lhe pergunto…”, responde Moro.
Ao final do rápido diálogo, um texto em espanhol esclarece: “Não é uma piada. É o interrogatório do juiz Sérgio Moro a Lula da Silva”
Controversa principalmente para apoiadores de Lula, a sentença de Sérgio Moro é também criticada por juristas, advogados e demais operadores do Direito. O próprio processo, apontam estudiosos do caso, contém nulidades.
Uma das nulidades seria o fato de que o próprio Moro reconheceu, em sua sentença, jamais ter afirmado que havia vínculo entre o imóvel e o esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato na Petrobras. O fato é que o próprio juiz havia pedido ao STF autorização para continuar conduzindo as investigações, quando o normal seria que o caso corresse na Justiça Federal de São Paulo, onde está localizado o tríplex. Como não havia relação do apartamento com o petrolão, segundo o próprio Moro, estaria configurada a chamada “incompetência superveniente”, o que implicaria na remissão do caso à Justiça paulistana, tirando-o de Curitiba e do âmbito da Lava Jato.
Até um livro foi publicado para desmontar a sentença de Moro. Reunindo 103 artigos de 122 juristas, em 544 páginas, Comentários a uma sentença anunciada – O Processo Lula se prestou a apontar as inadequações processuais e foi publicado em agosto do ano passado, quando a prisão de Lula estava distante e era até mesmo desacreditada.

Moro condenou Lula por ter recebido, em 2009, a propriedade de fato do famoso tríplex, em função de contratos entre OAS e a Petrobras. Ele precisou dessa narrativa tanto para justificar a condenação como para justificar sua própria competência para julgar o caso, colocando a questão do tríplex no âmbito da Lava Jato. Todavia, tal versão dos fatos não encontra amparo nas provas apresentadas pelo juiz”, observou o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Costa Araújo.
Já os defensores da sentença de Moro apontam a tese que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa usou no processo do mensalão do PT para condenar, em 2012, diversos figurões da política nacional: a teoria do “domínio do fato”, segundo a qual o agente público incorre em culpa, devido à função que desempenha, mesmo sem relação direta com o crime praticado. Na sentença, o magistrado curitibano anotou “ato de ofício indeterminado” para demonstrar que Lula, segundo provas orais e documentais, praticou os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção nas transações com a OAS, no que se refere à negociação do tríplex.

Reveja trecho do depoimento de Lula

Da redação com Congresso em Fofo e Youtube

Quem são os três juízes que podem mandar Lula para a prisão?

João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Laus são mais duros que Moro ao revisarem penas da Lava Jato; trio também pode vetar candidatura petista em 2018

As decisões do juiz federal Sergio Moro, que conduz a Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba e acabou de condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão, passam pelo crivo de três desembargadores federais do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em segunda instância. São eles que vão decidir que ratificam a condenação do petista e, em consequência, determinam sua prisão e sua inelegibilidade para 2018.

João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF4, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus, membros da 8ª Turma da Corte sediada em Porto Alegre, mantiveram condenados até agora 34 dos 39 réus considerados culpados por Moro. Apenas cinco foram absolvidos no tribunal. Conhecidos pelo perfil “linha dura” e a mão pesada quando aumentam as penas estipuladas pelo magistrado, os desembargadores elevaram a soma de 398 anos de prisão decretados por Moro nestas sentenças a 487 anos.

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de fixar o cumprimento de pena a partir de condenações em segunda instância e a Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas em eleições de condenados nesta jurisdição, as decisões de Gebran, Poulsen e Laus na Lava Jato ganham ainda mais peso.

O especialista em direito eleitoral Alberto Rollo diz que, “a partir do momento em  que houver a condenação [na segunda instância], Lula estará inelegível”. Rollo pondera, contudo, que a possível condenação no TRF4 não afastará o ex-presidente imediatamente da disputa se o registro de sua candidatura já tiver sido permitido em definitivo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste cenário, apenas um processo de “inelegibilidade superveniente”, que costuma ser alongado, poderia afetar a candidatura de Lula. Caso o petista seja condenado antes da aprovação do registro no TSE, sua defesa ainda poderia entrar com embargos de declaração, um tipo de recurso, para estender o julgamento.

Postado originalmente no Veja.Abril às 8 horas desta quarta (13)

 

Auditoria confirma que Lula não participou de corrupção na Petrobrás corrupção na Petrobrás

Relatório de conclusão foi encaminhado ao juiz federal Sérgio Moro, na manhã desta segunda (29)

Uma nova auditoria feita pela KPMG não identificou participação do ex-presidente Lula na corrupção da Petrobras. O resultado foi anexado pela defesa do petista à ação penal vinculada à Operação lava Jato que ele responde na Justiça Federal em Curitiba.

De acordo com o Paraná Portal, o ofício foi encaminhado para o juiz Sérgio Moro nesta segunda. Na auditoria, foram analisados documentos referentes ao período de 31 de dezembro de 2006 a 31 de dezembro de 2011.

A KPMG informa que foram utilizados métodos já previstos em normas profissionais de auditorias. No documento, a empresa frisa que não foi constatado em demonstrações contábeis “atos envolvendo a participação do ex-presidente Lula dentro da estatal”.

No processo em questão, Lula é investigado pela compra de um terreno, onde ficaria a nova sede do Instituto Lula e também um apartamento vizinho ao local onde o petista mora, em São Bernardo do Campo (SP). As duas propriedades foram adquiridas pela Odebrecht e seriam cedidas ao ex-presidente.

Da redação com Portal Paraná