Mortes no trânsito não têm nada a ver com Deus

Mortes no trânsito não têm nada a ver com Deus

CristianoPor Márcia Pontes no Portal Do Trânsito

Mais uma vez a sociedade que não usa cinto de segurança no banco de trás foi sacudida pela notícia de uma vida que poderia ser poupada de ir embora cedo demais em acidente de trânsito. Um rapaz tão novo, tão cheio de vida, que deixou filhos pequenos, que começava a desfrutar da carreira cada vez mais promissora e de sucesso. Isso choca mesmo. Perder alguém dessa forma é uma das piores dores do mundo, talvez, a mais difícil de vivenciar, de lidar e de aceitar que nunca mais veremos as pessoas que amamos. Estamos falando de mais de 50 mil pessoas, pais, irmãos, amigos de vítimas do trânsito que sofrem essa perda e essa dor por ano no Brasil.

A dor da família do artista famoso é a mesma da família de um anônimo que morreu atropelado em cima da faixa ou na calçada e teve seu corpo arrastado no capô de um carro. A mesma dor da mãe que viu o bebê ser arrancado dos braços, lançado e morto alguns metros no asfalto abrasivo. Mas, desta vez foi diferente, pois se tratava de uma celebridade, embora a vida de um artista tenha o mesmo valor que as vidas anônimas de outros adultos, crianças e idosos.

A cada 12 minutos estão entre as vítimas da violência no trânsito brasileiro um bebê, uma criança, um adolescente, um pai e mãe de família, um cadeirante, um cego, um vovô ou vovó. Por que isso não comove, não choca, não nos indigna da mesma maneira, já que toda vida tem o mesmo valor?

Quem sabe, muitos familiares de vítimas de acidentes, no momento do choque e da dor, também coloquem em xeque a sua fé, as suas crenças, os seus valores e repitam a mesma pergunta feita pelo pai do cantor Cristiano Araújo: “Será que Deus existe?”.

Como tantos anônimos no trânsito, eu confesso que não conhecia o cantor Cristiano Araújo, e embora digam por aí que para haver luto se tenha que ter vínculos com a pessoa, eu também senti essa perda da mesma forma que sinto a perda de qualquer vida que vai embora antes da hora. Senti a perda como se fosse alguém da minha família porque pratico a empatia e por conhecer a dor e o rastro de sofrimento que a morte no trânsito deixa para sempre na vida da gente.

O caso do cantor sertanejo e da namorada de 19 anos supostamente ejetados para fora do veículo levanta novamente uma situação comum entre artistas: a agenda corrida, mais de um show em um dia, noites mal dormidas, cansaço, saudade de casa, dos filhos, da família e a decisão de pegar estrada para curtir alguns momentos preciosos com quem se ama. Não é a primeira vez que artistas interrompem suas vidas e carreiras por continuarem agindo desta forma e ainda assim vemos a história e a tragédia tão anunciada quanto não usar cinto de segurança nos bancos de trás se repetir.

Por durante algum tempo, enquanto o assunto ainda estiver quente, vai se comentar muito sobre o estado em que ficou o veículo com apenas 2 meses de uso, que todos os airbags abriram, que a namorada e o cantor foram ejetados pelo parabrisas e se estavam ou não sem cinto de segurança no banco de trás.Até que saia a perícia do acidente, ainda vai se comentar muito que os dois ocupantes dos bancos da frente tiveram ferimentos, mas continuam vivos enquanto os passageiros do banco de trás, pelo impacto e gravidade das lesões, não foram poupados.

Também vai se ouvir coisas do tipo: foi a vontade de Deus; estava na hora deles; foi Deus quem quis e temos de aceitar; que cumpriram a sua missão na terra ou qualquer outra coisa do tipo. Para alguns, Deus vai continuar existindo para tentar justificar a morte no acidente. Para outros, Deus vai continuar tendo a existência questionada ou negada, também, para tentar explicar o fato de duas vidas tão jovens terem sido interrompidas tão cedo.

Se estavam ou não com o cinto de segurança no banco de trás, o fato é que isto provocou uma avalanche de recomendações, vídeos, comentários e alertas nas redes sociais sobre a essencialidade do uso do equipamento para salvar vidas.

Não cabe julgar, coisa que as pessoas cada vez mais fazem como se fossem o Deus que creem, questionam ou negam. O momento é de respeito, de comoção, para com a dor da família de todos os Cristianos, as Alanas, as Marias, os Franciscos, os Gabriéis e de todas as vidas interrompidas em acidente. Mas, também é o momento da classe artística mobilizar-se em torno da importância de não pegar estrada às pressas, de não dirigirem ou de não serem transportados por quem dirige na mesma pegada do estresse, do cansaço, do sono, da corrida contra o tempo. E, independente do cantor e sua namorada estarem ou não sem cinto no momento do acidente, usarem do carisma e da admiração de seus públicos para incentivarem mais atitudes seguras e preventivas no trânsito. Não só quando algum artista morre ou se acidenta.

O momento é de dor, de comoção. Mas também é o momento de superar o luto, de repensar nossas responsabilidades e nossos autocuidados no trânsito. Momento de entender que acidentes não têm  uma causa isolada. Que acidentes de trânsito não são meras fatalidades que não se podem prever e prevenir. Momento de entender que na busca de tentar achar ou desviar os culpados, Deus não tem nada a ver com as mortes no trânsito.

Porque para Deus, toda vida tem o mesmo valor. Resta saber, para a sociedade.

 

Minha religião é Deus

Minha religião é Deus

Por Amorim Sangue Novo
Semana passa o Diário do Centro do Mundo fez uma postagem com o título: “Recordar é viver: mostrando respeito aos símbolos religiosos, pastor chutou a santa”, trazendo um “trecho da reportagem do Jornal Nacional no dia seguinte ao programa da Record, na qual o bispo-apresentador dá uns chutes em uma imagem católica”, o que todos poderão ver no vídeo abaixo.”

Já há algum tempo não frequento qualquer tipo de igreja, sendo que a última que fui foi para fazer uma reportagem há uns três anos atrás.

Há uns cinco anos, curioso para saber como funciona uma determinada igreja, resolvi ir até uma “filial” delas.

Ao chegar à porta me senti como quem está entrando em uma boate tal a quantidade de “seguranças” na porta. Olhando para dentro vi um monte de “cicerones”. Acho que eles iriam me guiar para algum lugar de destaque para quem faz a primeira visita, uma vez que os “recepcionistas” haviam me perguntado se era a primeira vez que me dirigia ao digamos; estabelecimento.

Como achei que o assédio para que eu entrasse era muito grande, senti como se tivesse um letreiro piscando em minha testa, no qual estava escrito. mais um, mais um, mais um.

Para decepção dos “anfitriões, resolvi não entrar e voltei para casa pensando: seria eu “a próxima vítima”?
Acho que não, pois minha religião é Deus