A cultura desaculturada e a liberação de dinheiro do público para Claudia Leitte

A cultura desaculturada e a liberação de dinheiro do público para Claudia Leitte

Que me perdoe, (ou não), minha conterrânea Claudia Leitte, mas o Ministério da Cultura argumentar que liberou, via Lei Rouanet, R$ 356 mil para o lançamento de seu livro sob o argumento que “a obra gera, neste sentido, impacto cultural positivo” é a maior prova de subestimação à inteligência de qualquer ser humano.
Aliás, a cantora deveria pensar que, -sem querer fazer trocadilho com leite-, estamos em “tempo de vacas magras”, assim como o governo poderia e deveria ser mais sensato ao dispor de dinheiro que, através dos impostos, depositamos em suas mãos na esperança de uma boa administração, (Amorim Sangue Novo)
Atualização às 15;48 – Acabei de ouvir  que a Claudia Leitte argumentou que dará o livro GRATUITAMENTE. Prefiro que o dinheiro fique em nosso caixa (apesar que o governo administra mal) que o livro “di gratis”

claudia leitte“Empresa de Claudia Leitte pede meio milhão para fazer livro via Rouanet

Vem aí, em edição bilíngue português/inglês, o livro da Claudia Leitte.

A Ciel, empresa que administra a carreira da cantora, acaba de conseguir o o.k. do Ministério da Cultura para captar, via Lei Rouanet, R$ 356 mil (o pedido inicial foi de R$ 540 mil) para o lançamento da obra.

E o que será este livro? Trará uma “entrevista exclusiva” com Claudia, letras e partituras dos seus principais sucessos, além de fotos inéditas.

O relatório que o ministério aprovou garante que “trata-se de uma obra de cunho jornalístico, com entrevista com a artista não só sobre a sua trajetória, mas também impressões sobre o cenário da música nacional e estrangeira.”. Mais: “a obra gera, neste sentido, impacto cultural positivo”.

A edição de 2 mil exemplares será lançada em São Paulo, em local que tenha rampas para portadores de necessidades especiais, detalha o parecer dos técnicos. Até aí, beleza.

A partir daí, o relatório faz apenas projeções. Por exemplo, diz que a Ciel “estima que o livro seja lido por no mínimo 20 mil pessoas (10 pessoas o exemplar)”. Crava também a “presença de 500 pessoas ao evento de lançamento””

Postado originalmente no O Globo