As ex-primeiras-damas na história da Casa Branca

As ex-primeiras-damas na história da Casa Branca

nancy e ronald reagan
Na foto da Wikipedia, Nancy e Ronald Reagan em 1964

Uns lembrar-se-ão do glamour de Jackie Kennedy, outros do estilo de avozinha de Barbara Bush, alguns do registro combativo de Hillary Clinton, na realidade um prenúncio da ambição. Ora, Nancy Reagan, que morreu com 94 anos, também deixou marcas na sociedade americana e é quase impossível relembrar a presidência de Ronald Reagan sem a primeira-dama. Não é difícil de imaginar que alguém que dizia que a vida tinha começado no dia em que conheceu o marido não fosse influente conselheira do homem que devolveu o orgulho à nação após a desilusão Nixon, o interregno Ford e o fracasso de  Carter.

De Nancy a Hillary

Por Leonídio Paulo Ferreira, no DN de Portugal

A grande causa de Nancy foi a luta contra as drogas, mas pode especular -se tudo o que terá dito ao seu Ronald quando este fazia braço-de-ferro com a velha guarda soviética ou quando, já em clima de desanuviamento, o casal se reunia com Mikhail Gorbachev e Raisa. Os historiadores talvez descubram que a antiga atriz teve um papel na Guerra Fria.

Excecional, Nancy? No contexto das primeiras-damas americanas não. Martha Washington, a primeira de todas, faz parte do imaginário popular. Até a célebre peça teatral Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, embora fale de um casal de professores do século XX, tem como personagens George e Martha, uma homenagem aos primeiros ocupantes da residência presidencial (que não era a Casa Branca, ainda por construir). No fundo, os nomes de um casal exemplar para um casal nada exemplar, como sabe quem já viu a peça de Edward Albee. E há também Abigail Adams, mulher de um presidente e mãe de outro (como Barbara Bush!), cujas cartas trocadas com John Adams e John Quincy Adams revelam uma intelectual. E que dizer de Mary Todd? Foi um pilar junto de Abraham Lincoln durante a Guerra Civil, apesar da doença, apesar da morte de Willie, apesar de os irmãos combaterem do lado da Confederação. Estava, claro, ao lado do marido quando foi baleado no Teatro Ford, em Washington.

No século XX, uma primeira-dama destacou-se de forma única: Eleanor Roosevelt. Oriunda da aristocracia nova-iorquina com raízes holandesas, sobrinha do presidente Theodore Roosevelt e prima do marido Franklin, foi uma ativista sem precedentes na história da Casa Branca. Lutou pelos pobres, combateu a discriminação racial, defendeu a igualdade de mulheres e homens. Incansável, na Segunda Guerra Mundial visitava as tropas. Já depois da morte de Roosevelt foi embaixadora na ONU e ajudou a redigir a Declaração Universal dos Direitos Humanos. De certa forma, Eleanor antecipou o fenómeno Hillary.

Ora, voltemos à atualidade. Hillary, advogada brilhante, foi confinada durante décadas a ser primeira-dama do Arkansas e dos Estados Unidos ao lado de um marido, Bill, não menos brilhante. Na Casa Branca, tentou reformar o sistema de saúde e mostrou não ser uma continuação de Barbara Bush, até porque tinha pouco mais de 40 anos e uma filha adolescente. Mas foi quando de lá saiu que construiu a carreira política, primeiro como senadora, depois secretária de Estado. Agora, pela segunda vez tenta ser presidente. Se lá chegar, provará que uma primeira-dama, seja onde for, não tem de se limitar a ser um sorriso ao lado do homem todo-poderoso. Pode ser alguém também com um projeto.

Título e sub-título: Amorim Sangue Novo

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