PPS, partido do novo ministro da Cultura, se recusa a assinar nota de apoio a Geddel

Ao todo, 27 deputados assinaram manifesto de desagravo a Geddel. Nem todos, porém, são líderes, ao contrário do divulgado por André Moura

A crise política gerada com a acusação de que o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), da Secretaria de Governo, pressionou o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para liberar a construção de um edifício em Salvador, em área vizinha a prédios tombados pelo patrimônio histórico e onde tem um imóvel, causou constrangimento a alguns líderes da base de apoio ao governo na Câmara.

O líder do PPS, Rubem Bueno (PR), se recusou a assinar o manifesto em solidariedade a Geddel, entregue em solenidade ao ministro na terça-feira (22). Consultado pelo líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), Bueno disse que não poderia assinar o documento. A bancada da legenda chegou a discutir o assunto internamente e nenhum vice-líder do partido aceitou participar do movimento em defesa de Geddel. O PPS é o partido do novo ministro da Cultura, Roberto Freire, que assumiu hoje o cargo no lugar de Marcelo Calero.

“Não assinamos por uma questão óbvia, independentemente da proporcionalidade do fato”, disse o deputado Arnaldo Jordy (PA), vice-líder da bancada. O único deputado do PPS que assinou o manifesto foi Arthur Maia (BA), baiano como Geddel, que prestou solidariedade ao ministro na condição de vice-líder do governo na Câmara, e não como representante da legenda.

PSDB
O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), também foi pressionado e assinou o manifesto, mas se recusou a sair em caminhada ao Palácio do Planalto, junto com os outros líderes, para se solidarizar com Geddel.

Entre os 27 deputados que assinaram (veja a relação ao lado) o documento, estão os líderes do PMDB, Baleia Rossi (SP), do PTB, Jovair Arantes (GO), do PV, Evandro Gussi (SP), e do DEM, Pauderney Avelino (AM).

“Consideramos que o ministro está conduzindo a pasta de maneira técnica, competente e tendo como premissa maior o diálogo, sendo também um dos protagonistas das sucessivas vitórias que o atual governo vem obtendo nesse Parlamento”, diz a nota.

A construção do prédio de 100 metros de altura, onde Geddel diz que comprou uma unidade no 23º andar, dependia de uma autorização da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, órgão subalterno ao ministério da Cultura onde Calero era o titular. O ex-ministro revelou em entrevista que decidiu pedir demissão do cargo depois que foi pressionado por Geddel a liberar a obra do La Vue Ladeira da Barra em local tombado pelo patrimônio histórico.

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Da redação com, Congresso em Foco