Aécio, tucano não é carcará

“Aécio Neves não pode confundir o símbolo do PSDB, o tucano, com o carcará, ave de rapina pronta para se alimentar de dejetos. O muro, que também simboliza popularmente o partido, não suportará o peso moral do senador”

O senador Aécio Neves, do PSDB mineiro, desde a juventude esteve envolvido na política partidária. Filho ilustre do notável e ficha-limpa deputado Aécio Cunha.

Aécio Cunha foi filho do político mineiro Tristão Ferreira da Cunha e de Júlia da Matta Machado Versiani Ferreira da Cunha, prima-irmã do 1º Visconde com Grandeza de Barbacena e 1º Marquês de Barbacena, e do 1º Visconde de Gericinó, deixando ao filho senador uma linhagem familiar respeitável. Exerceu mandato como deputado estadual entre 1955 e 1963, e deputado federal entre 1963 e 1987. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil em 1950.

O avô paterno de Aécio Neves, Tristão Ferreira da Cunha foi titular da Secretaria de Agricultura e Trabalho do Governo Juscelino Kubitscheck e iniciou o filho na carreira política.

Aécio Cunha casou-se, em primeiras núpcias, com Inês Maria Neves da Cunha, filha do presidente Tancredo Neves.

O jovem e promissor senador Aécio Neves, sabe-se lá por qual razão, adotou o sobrenome do avô mais famoso e exemplar homem público, seguindo-o até o túmulo, em momento dramático da vida nacional. A sua imagem fixou-se no cenário político como fiel, dedicado e correto parlamentar e governador.

Aécio Cunha faleceu, orgulhoso do filho, no dia 3 de outubro de 2010, exatamente quando Aécio Neves se elegeu senador da República.

Os exemplos da ascendência familiar levaram o jovem senador à disputa da Presidência da República contra Dilma Rousseff e, se não fossem mentiras divulgadas no auge da campanha, teria sido eleito presidente.

Nesses dias tumultuados do nosso indescritível Brasil, eis que surge, em gravações insuspeitas realizadas por supostos amigos marginais, a fala clara e inegável do senador Aécio Neves.

O episódio empanou as virtudes do PSDB e prejudicou seriamente o partido, causando desconfiança no eleitorado e nos possíveis candidatos no pleito de outubro. O senador, apesar das evidências, se coloca como vítima de tramóias, mas não consegue se desvencilhar das acusações, tendo, inclusive, se tornado réu no Supremo Tribunal Federal, protegido pelo nefasto foro privilegiado que permanece incólume na legislação brasileira e que, antes que o sol se ponha, será banido por pressão popular ou por decisão da Corte Suprema.

Resta-nos, como eleitores, se não formos atendidos pelos poderes a quem delegamos a responsabilidade de nos proteger da corrupção e da violência, o dever de banir da vida pública, os corruptos e os ineptos, através da arma mais importante do cidadão: o voto!

Aécio Neves não pode confundir o símbolo do PSDB, o tucano, com o carcará, ave de rapina pronta para se alimentar de dejetos. Seu pai, Aécio Cunha, deixou-lhe forte exemplo ao ser  nomeado ministro do Tribunal de Contas da União pelo presidente José Sarney. Na ocasião, declinou do convite, por razões pessoais, surpreendendo a todos que o respeitavam, o que foi motivo de muitos elogios pela dignidade moral do gesto.

O muro, que também simboliza popularmente o partido, não suportará o peso moral do senador. Hasta la vista!

Por Paulo Castelo Branco no Congresso em Foco – Imagem: Google

Senadores investigados trazem Aécio de volta ao Senado

Senado decidiu, por 44 votos a 26, rever decisão da Primeira Turma do STF que havia afastado o tucano do Senado

Senado derrubou nesta terça-feira, por 44 votos a 26, a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que havia afastado o senador Aécio Neves (PSDB-MG) da Casa. Embora tenha havido boa vantagem em relação aos senadores que queriam manter o afastamento do tucano, o placar pró-Aécio ficou apenas três votos acima dos 41 necessários para que ele voltasse ao exercício do mandato. Caso não houvesse este número de votos para devolver o tucano ao Senado ou para manter seu afastamento, a votação seria repetida, conforme o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Entre os partidos, os líderes de PSDB, PMDB, PP, PR, PTB, PRB, PTC e PROS orientaram as bancadas a votarem pela revisão da decisão da Primeira Turma do STF. PT, PSB, Podemos, PDT, PSC e Rede orientaram votos pela manutenção da decisão do colegiado, enquanto DEM e PSD liberaram os senadores a votarem como quisessem.

Embora tenha orientado voto contrário a Aécio, Pedro Chaves (MS), líder do PSC na Casa e único senador da legenda, votou favoravelmente ao tucano. Outros a divergirem das orientações partidárias foram Ana Amélia (PP-RS), Roberto Requião (PMDB-PR), Kátia Abreu (PMDB-TO) e Magno Malta (PR-ES), todos autores de votos pela continuidade do afastamento do senador mineiro.

Veja abaixo como cada senador votou:

Votaram para devolver o mandato a Aécio Neves:

Airton Sandoval (PMDB-SP)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI)
Fernando Coelho (PMDB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Hélio José (PROS-DF)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Serra (PSDB-SP)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omaz Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissatti (PSDB-CE)
Telmário Mota (PTB-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zezé Perrella (PMDB-MG)

Votaram para manter Aécio Neves afastado do mandato:

Acir Gurgacz (PDT-RO)
Alvaro Dias (PODE-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ângela Portela (PDT-RR)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
José Medeiros (PODE-MT)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lasier Martins (PSD-RS)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Regina Souza (PT-PI)
Reguffe (sem partido-DF)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Romário (PODE-RJ)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Walter Pinheiro (sem partido-BA)

Do redação com Veja – Título Amorim Sangue Novo – Imagem: Google

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Com 1,1%, Aécio vira cadáver político em Minas

Pesquisa realizada pelo instituto GPP aponta que o senador tucano, um dos mais delatados na Lava Jato, só teria 1,1% dos votos para presidente da República em seu próprio Estado; dado mostra que Aécio Neves, investigado por esquemas de corrupção em Minas e flagrado recentemente pedindo R$ 2 milhões em propina ao empresário Joesley Batista, se afundou politicamente depois de ter atuado como o principal articulador do golpe contra Dilma Rousseff, afundando o Brasil na maior crise econômica de sua história

Pesquisa eleitoral revela que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), após ter atuado como o principal articulador do golpe contra Dilma Rousseff, afundando o Brasil na maior crise econômica de sua história, virou um cadáver político em Minas Gerais.
Dados de um levantamento realizado pelo instituto GPP, divulgados pela Carta Capital, apontam que o senador tucano, um dos mais delatados na Lava Jato, só teria 1,1% dos votos para presidente da República em seu próprio Estado.

Investigado por esquemas de corrupção em Minas, estado que governou, e flagrado em gravação recentemente pedindo R$ 2 milhões em propina ao empresário Joesley Batista, da JBS, Aécio piorou drasticamente no cenário eleitoral desde as eleições de 2014.

Naquele ano, quando foi derrotado para Dilma na disputa presidencial, Aécio também já havia perdido em Minas, registrando 45,6% dos votos.

Da redação com Brasil247