Meu ídolo não saiu, despediu-se!   

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Por Amorim Sangue Novo

Comentar sobre personalidades que admiramos, temos carinho e apreço é sempre difícil, até por que pode comprometer nossa imparcialidade jornalística.

Fazer comentário em cima de matérias de um grande colega de jornalismo como o Kiko Nogueira, seria uma exposição desnecessária. Por isto mesmo prefiro deixar o comentário deste grande homem, para que por si só, todos saibam quem foi e é José Mujica (Pepe Mujica).

Em assim sendo, só me resta homenagear Mujica com a mesma frase do meu colega,

“Prazer imenso ser seu contemporâneo.”

“Eu não vou embora, eu estou chegando”: o discurso de despedida de Mujica

Por Kiko Nogueira

Um amigo adorava de repetir uma blague ao cumprimentar alguém. “É um prazer ser seu contemporâneo”, dizia.

A frase se aplica, sem piada e sem cinismo, a José Mujica, que terminou seu mandato no Uruguai.

Saiu com uma “bagagem cheia de realizações e responsabilidades sobre os seus ombros”, como admitiu num discurso emocionante.

O presidente mais pobre do mundo é o único líder republicano da vida real. Desde que assumiu o cargo em 2010, doou 90% do seu salário para um plano de habitação e continuou a viver em seu rancho nos arredores de Montevidéu com sua mulher, seu Fusca e sua inacreditável cadela de três patas.

Desprezou o palácio e recebia políticos e jornalistas em casa. “Eu não sou pobre. Pobres são os que precisam de muito para viver, estes são os verdadeiros pobres. Eu tenho o suficiente “, declarou.

Colocou seu país na vanguarda promovendo a legalização da maconha e do aborto.

Aos 79 anos, ele mesmo lamentou não ter conseguido fazer algumas obras de infra-estrutura de que gostaria. Não fez a reforma da educação, também. “Uma pessoa se torna presidente com uma cota de idealização e, em seguida, a realidade bate-lhe no focinho”, afirmou. A pobreza caiu para 11,5%  e o desemprego está em 6,6%.

Cunhou frases antológicas, deu um exemplo gigantesco de homem público, causou a inveja de quem não o tinha como compatriota, cativou com uma sinceridade desconcertante (Cristina Kirchner, a “velha”, e seu falecido marido Néstor, o “caolho”, sentiram o efeito na pele).

Uma pequena multidão o ouviu dar adeus na Praça de Independência.

“É hora de agradecer a honra que vocês me deram”, disse. Reviu sua trajetória, da infância aos tempos de tupamaro. “Foram anos de estagnação, de utopia militante. Sofremos, causamos sofrimento e somos conscientes. Pagamos preços enormes. Depois de tanto trabalho, entendemos que a luta que você perde é a que você abandona”, afirmou.

“Querido povo, obrigado por seus abraços, por suas críticas, por seu carinho e, sobretudo, muito obrigado por seu profundo companheirismo a cada uma das vezes em que eu me senti sozinho em meio à presidência. Se eu tivesse duas vidas gastaria ambas para ajudar sua luta, porque esta é a forma mais grandiosa de amar a vida que pude encontrar ao longo dos meus quase 80 anos”.

E arrematou: “Eu não vou embora, eu estou chegando. Eu irei com o último suspiro e onde eu estiver, estarei lá por vocês”.

Prazer imenso ser seu contemporâneo.

Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Junto ao povo Pepe Mujica se despede da presidência
Veja aqui o discurso de Mujica >>>

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Tem “neguim” se mijando de medo

Por Amorim Sangue Novo

Rodrigo Janot acabou de entregar (às 20:11 hms) os nomes de vários envolvidos na Operação Java Jato.

Como a relação está sobre segredo de justiça o Sátiro de Amora definiu bem a situação ao insinuar que muitos políticos estão se mijando de medo.

Veja a charge:
privada-já-amorimclique na imagem para ampliar

A revelação dos nomes de políticos e autoridades supostamente envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras só deverá ocorrer após uma decisão do ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo Tribunal Federal; a expectativa é que os pedidos de investigação contra os suspeitos chegue ao STF até a noite desta terça (3); todos estarão inicialmente em segredo de Justiça, mas o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedirá o fim do segredo em todos os pedidos, e Zavascki analisará, caso a caso, se vai atender a essa recomendação; até 40 políticos poderão ser citados; há suspeita da participação de um governador

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Política no Brasil: No saco a mesma farinha

Farinha do mesmo saco

Por Amorim Sangue Novo

O ex-ministro Gilberto Carvalho publicou importante artigo na Carta Capital em que questiona o futuro do PT.

Acredito que uma linguagem mais singela e popular levaria os leitores a um melhor entendimento, até por que a cultura está cada vez mais se deteriorando e a prioridade é uma linguagem às vezes até xula.

Quanto a uma queda ou troca de comando, vejo como desnecessária e totalmente improvável, até porque “no saco deverá ter a mesma farinha”, porém urge mudança de comportamento do PT, inclusive com punição severa para os maus afiliados,seguidores e/ou “companheiros”

E agora PT?

De repente, os ventos mudaram, as águas se agitaram, velas se romperam e o barco parece sem controle… muitas previsões de naufrágio. Sentimos a barra, clamamos por um comando milagroso, mas nuvens carregadas não permitem que se vislumbre nenhum sinal do sol.

Não é a primeira vez, nem a primeira tempestade, tampouco os marujos são inexperientes. Ao contrário. A vida os calejou impiedosamente, desde os primeiros movimentos. Agora, a conjunção de fatos parece insuperável: crise econômica com sabor amargo de inflação no cotidiano dos cidadãos e medo de desemprego, crise da falta de água e reiterada e cotidiana profecia de crise de energia, crise política no Parlamento, onde, como diria Zé Múcio, bezerro não reconhece vaca, crise na Petrobras, com suas calculadas gotas diárias de novidades delatadas, tomadas como verdades comprovadas, num martelar poderoso e insistente para pregar a imagem de um partido e um governo irremediavelmente na podridão da corrupção.

É festa da oposição, é ódio cultivado, realimentado dia a dia em um “milenium” de colunas, drops radiofônicos, artigos, sempre a prever o fim apocalíptico de um projeto. Eles venceram? Vencerão?

Não. Ainda não. E não vencerão se tivermos a coragem do combate, da luta dura que marcou nossas vidas. Se tivermos a competência e a criatividade para demonstrar o que realmente está em jogo. Se usarmos todos os meios de que dispomos para mostrar ao povo a verdade por inteiro.
Para tanto, é essencial a coragem, simples e honesta, de reconhecer nossos erros, e de corrigirmos com energia nossa rota. De enfrentar nossos próprios demônios, como diria Luiz Gushiken, e tomar a iniciativa das mudanças necessárias.

Há um norte claro a nos guiar, o projeto que mudou a cara do País e produziu a maior mobilidade social vivida nestas plagas. Crescer com distribuição, cuidar dos excluídos, combater a desigualdade é nosso objetivo e destino.

Mantenhamos o orgulho dessa conquista e sigamos nesse caminho. Pois falta muito para realizar o sonho que nos mobilizou na juventude.

Sobre o autor:
Gilberto Carvalho foi secretário-geral da Presidência. Preside o conselho do SESI

Publicado originalmente no Carta Capital 

 

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