Tinha que ser um Amorim

eduardo amorim

Por Amorim Sangue Novo

É tão raro vermos algum congressista que vise a participação popular que tenho que admitir que ainda exista algum deles se importando com o que o povo realmente quer, e isto me faz pensar que só poderia vir de um Amorim mesmo.

Vejo com bons olhos a sugestão de Eduardo Amorim, porém quero lembrar que com o baixo nível cultural e de escolaridade de muitos políticos, principalmente prefeitos e vereadores e também muitos políticos “compráveis” esta medida pode se reverter a favor dos interesses de grandes partidos e de políticos que visam seus próprios interesses, como por exemplo, não aprovarem o não financiamento de campanha, venha ela de quaisquer partes, pois vejo nisto uma imoralidade visto que ninguém “ajuda” políticos a se elegerem sem nenhum interesse.

Falando em financiamento:

“Os executivos Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Correa, estão deixando a carceragem da Polícia Federal; o motivo: ambos fizeram delação premiada e confirmaram a tese de que as delações da empreiteira ao PT são “propina”; acusação foi dirigida ao tesoureiro do PT, João Vaccari, e ao ex-diretor da Petrobras, Renato Duque; só há um detalhe intrigante: em 2010, a Camargo doou mais ao PSDB (R$ 5,4 milhões) do que ao PT (R$ 4,5 milhões); com a homologação da delação premiada, os executivos da Camargo ganham do juiz Sergio Moro, do Paraná, a tão sonhada liberdade” (Brasil/247, o grifo é meu)

Senador Eduardo Amorim quer deputados estaduais e vereadores no debate da reforma política

O senador Eduardo Amorim (PSC-SE) disse que está na hora de o Congresso Nacional, juntamente com os legislativos estaduais e municipais, discutir a reforma política. Para ele, qualquer mudança nessa área tem que contar com a contribuição de vereadores e deputados estaduais.

Ele lembrou que a reforma política passa por cinco pontos fundamentais: reeleição, voto proporcional, duração de mandatos, financiamento de campanha política e unificação das eleições.

Por isso, segundo  Amorim, discutir questões como essas somente no âmbito do Congresso Nacional não representa a vontade da população.

É que, conforme lembrou, são justamente os vereadores e deputados estaduais que têm contato mais direto com o povo:

— Deixo aqui a sugestão para os colegas senadores: que levem a reforma política para as suas cidades. Ouçam os vereadores, ouçam os deputados estaduais, mas principalmente o povo. E a partir dessas audiências, possamos trazer o documento para o Congresso Nacional para que a voz popular, não somente a voz das ruas, mas também dos líderes, possam também aqui serem ouvidas e respeitadas.

Fonte: Agência Senado – Imagem: Google

Leitores da BBC Brasil sugerem medidas anticorrupção

corrup_nao

Penas mais duras para casos de corrupção foi um dos pedidos mais frequentes

Após o governo federal anunciar um pacote de medidas para combater a corrupção no país, leitores da BBC Brasil disseram, por meio de rede sociais, o que gostariam de ver entre as medidas.

Combate à corrupção

Na quarta-feira, o governo federal apresentou um pacote anticorrupção que será levado ao Congresso, em resposta a protestos populares. As propostas incluem:

Um projeto de lei para criminalizar o caixa-dois (arrecadação não declarada de dinheiro em campanhas);

Apresentar uma emenda constitucional para confiscar bens adquiridos de forma ilícita;

Apresentar projeto de lei para que os mesmos critérios da Lei da Ficha Limpa sejam adotados para a nomeação de cargos de confiança no âmbito federal;

Acelerar a tramitação de projeto de lei que criminaliza o patrimônioinjustificado e enriquecimento ilícito de agentes públicos;

Acelerar a tramitação de um projeto de lei que prevê a alienação antecipada de bens apreendidos após atos de corrupção, para evitar que sejam usados irregularmente por agentes públicos. Estes bens alienados seriam vendidos e o dinheiro ficaria depositado em juízo.

Um dos pedidos mais frequentes foi a inclusão dos casos de corrupção no rol de crimes hediondos, como homicídio e sequestro, ou que fossem punidos com penas mais duras.

“Vinte anos de cadeia sem fiança nem progressão de pena. Ninguém fala nada?”, questiona um leitor.

Leia mais: As medidas de Dilma serão eficientes no combate à corrupção?

Leia mais: De Lobão a Duvivier: O que os campeões de seguidores dizem sobre corrupção?

Outros leitores sugeriram que crimes de corrupção fossem julgados pelas instâncias usuais da Justiça comum (crimes cometidos por parlamentares são julgados pelo Supremo, depois de autorização do Congresso).

“E o fim da imunidade parlamentar, nada?”, disse um leitor, que recebeu 471 curtidas.

“Fim do foro privilegiado. Aí eles passarão a ter medo de verdade”, justificou outro.

“Imaginem se deputados e vereadores não tivessem seus processos julgados pelo STF? Se tivesse que aguardar presos seu caso ser julgado pela Justiça comum? Não dou seis meses para melhorar”, afirmou um terceiro leitor.

Leia mais: Pesquisas testam se dinheiro torna as pessoas más

Um pedido também bastante frequente foi o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.

“Cadê a proibição das doações privadas?”, indaga um leitor.

“Muito partido sem representação popular sobrevive disso”, argumenta outro.

Muitos ainda querem menos ministérios: “E a diminuição do número absurdo de 39 ministérios?”.

Pacote próprio

Um dos comentários mais populares, com mais de 840 curtidas, foi o de um leitor que criou seu próprio pacote de medidas contra corrupção.

Para ele, seria necessário implementar o afastamento imediato de um funcionário público que seja alvo de denúncia feita pelo Ministério Público, a proibição de vaquinhas para que partidos paguem multa de condenados e o fim das aposentadorias vitalícias.

Este leitor ainda sugere multa dobrada para desvios públicos, inelegibilidade e proibição de participação direta ou indireta na administração pública por 30 anos, além da redução de salários, verbas e auxílios para políticos.

Em resposta a este comentário, outro leitor complementou dizendo que o fim da aposentadoria vitalícia deveria valer também para juízes comprovadamente corruptos, “com a perda de cargo, benefícios e cadeia”.

Reprodução

Um dos comentários mais populares foi de um leitor que criou seu próprio pacote anticorrupção

Um leitor ainda sugeriu o fim da indicação política para cargos políticos e do Supremo Tribunal Federal e Supremo Tribunal de Justiça.

Uma leitora quer o fim de indicações políticas para “acabar com o apadrinhamento” e também propõe limitar a permanência no cargo por deputados e senadores a dois mandatos.

Outro leitor defende que “uma reforma política honesta” deveria instaurar um mandato único de cinco anos para todos os cargos do executivo e o fim da reeleição para todos os cargos públicos.

Uma leitora foi além e sugeriu a criação de um sistema político completamente diferente do que existe hoje, ao defender que é preciso acabar com os cargos de ministro, deputados e senadores: “Que arrume um jeito do Brasil funcionar sem estes bandidos”.

Imagem ilustrativa do AnonymousBrasil

TV Globo: como dar um basta no jornalismo lixo

tv-g

Desligue a TV Globo no horário dos telejornais e marque o seu protesto

Não me proponho contribuir para a quebra da Globo. Seria um desperdício de tecnologia em audiovisual acumulada durante décadas, a qual se tornou um patrimônio nacional de valor incalculável. Quando o senador Crivella agendou uma conversa com João Roberto Marinho na última campanha eleitoral, sugeri a ele que deveria dizer que, se eleito, se comprometeria a lutar pela consolidação do Rio como capital audiovisual da América Latina e um dos principais centros de produção de arte audiovisual do mundo. O líder seria a Globo, naturalmente, não a Record, cuja base audiovisual é São Paulo.

Acontece que os programas de boa qualidade formal da Globo, como as novelas, casos especiais, Globo Repórter, Fátima Bernardes, The Voice (não sei por que não “A Voz”) e SuperStarfuncionam como uma espécie de rede física de esgoto pelo qual flui o material de má qualidade, a saber, o Jornal Nacional e, principalmente, o Jornal da Globo. Vai também junto desse lixo esse monumento à imbecilidade globalizada, o BBB Brasil, que disputa com Faustão o campeonato da idiotice, salvo apenas, no caso de Faustão, pela Dança dos Famosos, para os que tem estômago para tolerar as piadas de mau gosto do apresentador.

O lamentável é que os outros canais, como Record, Bandeirantes e SBT, não se aproveitam das falhas estruturais da Globo para lhe ocuparem o espaço jornalístico. Na Band o jornalismo é tão pobre que as notícias dos principais Estados são veiculadas por rádio, sem acompanhamento de imagem. A Record tem a sorte de ter em seus quadros um dos maiores jornalistas do Brasil, Paulo Henrique Amorim, mas também nela falta infraestrutura para o noticiário em geral. Com isso, a Globo nada de braçadas, fixando o padrão de mediocridade que move a maior parte do jornalismo de televisão.

Como colunista do Globo, privei durante quase um ano da intimidade de Roberto Marinho, o que me possibilitou conhecer bem algumas de suas facetas. Era um homem simples, sem ideologia, voltado quase exclusivamente para o jornal, não a tevê. É que, de jornal, ele acreditava entender bem – entrou na tipografia e acabou dono -, enquanto a televisão não lhe era familiar, e deixava entregue a José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark. Boni e Clark puderam dar uma direção profissional à televisão, sem interferência do dono, enquanto o jornal era estritamente vigiado por ele.

Talvez viesse daí a mediocridade do Globo quando comparado com o Jornal do Brasil, por exemplo. Entretanto, mesmo que não fosse um luminar do jornalismo, Roberto Marinho tinha o espírito da notícia. Lamentou várias vezes não ter podido dar o furo do Plano Cruzado porque Sarney lhe pedira reserva. (O curioso nesse episódio é que Sarney não se deu conta de que estava passando informação privilegiada para o maior grupo de comunicação do país num momento crucial da vida econômica brasileira. Na verdade, Sarney temia tanto o grupo Globo que não pensou duas vezes antes de lhe entregar uma ficha valiosa que não foi usada.)

O espírito jornalístico de Roberto Marinho não foi transmitido à prole. No caso da televisão, foi totalmente desvirtuado. Como jornal perdeu espaço no mundo da comunicação, a penetração da tevê tornou-se uma arma mortal de difusão ideológica. No Jornal Nacional ela vinha sendo usada com alguma moderação porque os editores, William Bonner à frente, calculavam que os telespectadores são sobretudo de classe média baixa. A partir da última eleição, contudo, com o sistema Globo assumindo papel de militante pró-Aécio, a manipulação ideológica também do noticiário televisivo no horário nobre tornou-se aberta.

Como já escrevi anteriormente, o sistema de três feudos e várias satrapias jornalísticas do Globo não tem hoje nenhum controle político. É o campo da liberdade sem limites dos âncoras e apresentadores, no qual atua a lei da selva. Um ensaio iluminado de Norberto Bobbio ensina que os luminares do alvorecer da Idade Moderna não esclareceram bem o que entendiam por liberdade. Alguns, como Locke e Montesquieu, viam a liberdade como o não limite; outros, como Rousseau e Hobbes, como prerrogativa de estabelecer os próprios limites. Os primeiros inspiraram o liberalismo econômico. Os segundos, a democracia.

A tevê Globo é hoje o império da liberdade sem limites, do liberalismo econômico que gerou nas quatro últimas décadas o neoliberalismo. Antes, por contraditório que possa parecer, Roberto Marinho lhe dava um caráter democrático. Um dia, na minha época no Globo, entrei na sala dele e lhe expus o que sabia dos rumores de corrupção do Governo Collor. “O que acha que eu devo fazer?”, perguntou ele a mim, que tinha pouco mais de metade de sua idade. “Ponha na televisão”, sugeri. Ele ficou em silêncio alguns segundos para comentar, encerrando a conversa: “É muita responsabilidade…”

É essa responsabilidade que a Globo perdeu sob a influência nefasta do grupo Veja. Destruidora do Governo Collor, sem provas – a entrevista que publicou com o irmão de Collor foi um monumento à irresponsabilidade jornalística -, Veja começou a articular suas “revelações” de escândalos, oriundas de espionagem paga, com o noticiário do Jornal Nacional e o Jornal da Globo. Duplamente irresponsáveis, esses dois sistemas de empulhação jornalística estão destruindo o Brasil com intrigas, e contribuindo para a degradação de todas as instituições brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário. Chegou o momento do basta.

Para destruir Veja, o que se justifica como profilaxia da imprensa brasileira, é muito fácil: basta parar de comprá-la e cancelar as assinaturas. Caso sinta necessidade de revista, compre a Carta Capital como alternativa, com uma linha mais imparcial.

No caso da tevê também é fácil. Como queremos preservar as novelas e punir o jornalismo-lixo, vamos fazer o seguinte: no horário do Jornal Nacional e do Jornal da Globo – depois da novela, num caso, e do BBB, do outro -, vamos desligar a televisão ou mudar de canal. Todos os anunciantes da Globo saberão pelas pesquisas que, naquele horário, os aparelhos ou estarão desligados ou ligados em outro canal. (Sugiro que alguém mais competente que eu em matéria de internet arranje um jeito de tornar essa convocação nacional através das redes sociais, começando numa data marcada com antecedência e combinando novas datas até que se torne conhecida alguma providência do sistema Globo em reestruturar profissionalmente seus jornais!)

  1. Carlos de Assisé jornalista, economista e professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política, sendo o últimoA Razão de Deus, pela Civilização Brasileira.

Publicado, originariamente, na agência brasileira de notícias Carta Maior, sob o título: Como dar um basta no jornalismo lixo da TV Globo?