Golpistas temem a resistência dos brasileiros

Golpistas temem a resistência dos brasileiros

ciro-gomesCiro Gomes foi ministro da Fazenda na época do Plano Real

Por Ciro Gomes

Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda – responsável pela instalação do Plano Real, em sua fase mais critica, no Governo Itamar – e da Integração, no Governo Lula, Ciro Gomes considera “intolerável” a tentativa de parte da oposição e de setores da sociedade de derrubar a presidenta Dilma Rousseff, reeleita em 2014. Segundo Ciro, o Golpe não se consumará.

– O golpe não acontecerá. Não vai ter e ponto final. Alguns de nós, brasileiros, estamos dispostos a levar (a resistência ao golpe) às ultimas consequências. Basta isso para não ter golpe porque eles (os que pregam a derrubada do governo) são frouxos, não aguentam a pressão das ruas. O povo brasileiro vai para a rua para garantir a Democracia – garantiu Ciro Gomes, em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, na noite passada.

Um dos possíveis presidenciáveis, em 2018, Ciro hoje é presidente da Ferrovia Transnordestina que, segundo afirmou, segue adiante a todo vapor.

– Neste caso (das ‘pedaladas’ no TCU) seria pitoresco se não fosse trágico. Julgam-se práticas do passado sem que se julguem as mesmas práticas de muitos e repetidos anos do passado. No governo de Fernando Henrique Cardoso foi o pior e nunca aconteceu qualquer notificação por parte do TCU. As contas brasileiras com Fernando Henrique tiveram a erosão mais grave de toda a história brasileira – denuncia.

Sobre o Governo Dilma, o ex-governador disse que é preciso que a presidenta se reaproxime do povo.

– E isso significa tomar outro caminho na gestão da economia e da política – afirmou Ciro, que criticou a escolha de Joaquim Levy para o ministério que ele já ocupou.

Leia, a seguir, os principais pontos da entrevista:

O Brasil de hoje

Há duas coisas gravíssimas acontecendo no país.

Uma é a escalada golpista que fundaria no Brasil uma Venezuela, sob o pior aspecto que essa comparação possa dar. Um país rachado.

O Brasil não tem as razões que há na Venezuela para que isso ocorra.

O outro é uma preocupação com os descaminhos graves do governo da Presidenta Dilma Rousseff.

Lamentavelmente, a Presidenta se lançou em uma agenda prática que está desconstituindo a legitimidade do seu mandato.

A situação econômica e os insatisfeitos

Os protagonistas (do golpe) são de natureza plutocrata. Os endinheirados do setor financeiro não estão satisfeitos, mesmo tendo um interventor no governo, no caso o (ministro da Fazenda) Joaquim Levy.

O Levy não tem a menor imaginação para compreender a realidade brasileira.

Aí, entra com aquele receituário estúpido, que, na verdade, é um contrassenso teórico.

Há os que não aceitam o resultado das urnas.

Contas da campanha de Dilma

Nos próximos dias, com grande calor midiático, iremos assistir a uma oitiva do delator (Ricardo Pessoa) da UTC que vai dizer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fez financiamentos à campanha da Presidenta Dilma porque foi chantageado pelo tesoureiro do PT.

Espero, como modesto brasileiro, que o TSE não dê vazão para isso.

Isso é intolerável.

Pedaladas fiscais

O segundo ambiente Golpista é no Tribunal de Contas da União (TCU).

Neste caso pitoresco, se não fosse trágico, julgam-se práticas do passado sem que se julguem as mesmas práticas de muitos e repetidos anos do passado,

O TCU poderia levar isso à última consequência, a presidenta seria afastada e o vice assumiria.

Isso também é intolerável.

“A Dilma tem sorte”

Eu disse pra ela que, se ela conseguisse governar com esse ministério, eu queria trocar de anjo da guarda com ela.

Ela tem sorte porque esse Eduardo Cunha se desmoralizou muito rapidamente.

A população tem que entender que impeachment não é remédio para governo que a gente não gosta.

Impeachment é para governo que comete crime.

Pedaladas de FHC

É justo falar que houve pedalada (no governo Dilma), mas não é a primeira vez. No governo de Fernando Henrique Cardoso foi pior e nunca aconteceu qualquer notificação por parte do TCU.

Não havia Lei de Responsabilidade Fiscal no primeiro mandato dele (1995-1998). Ele a aceitou imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de quebrar o Brasil três vezes.

As contas brasileiras com Fernando Henrique tiveram a erosão mais grave de toda a história brasileira.

Eu era Ministro da Fazenda quando ele tomou posse e nomeou o Pedro Malan ministro. Os números eram os seguintes:

Carga tributária era 27% do PIB. Ele entregou ao Lula com 37% do PIB.

A dívida pública brasileira em 500 anos foi de 38% do PIB. Com oito anos de desgoverno de FHC, foi para 78% do PIB.

E ele desmobilizou US$ 100 bilhões das privatizações e o país desceu ao menor volume de investimento desde a Segunda Guerra Mundial.

Tudo isso feito na cara da freguesia e o TCU nunca fez o menor registro disso.

O que a Dilma fez de errado

Ela é uma pessoa séria, mas não entendeu bem o que fez com que ela ganhasse as eleições.

Ela pagou o preço da inexperiência política e da intrusão do Lula.

A presidenta Dilma prometeu uma coisa e foi gastando a confiabilidade muito rapidamente: aumentar a gasolina, a energia.

O golpe não acontecerá

O golpe não acontecerá. Não vai ter e ponto final. Alguns de nós brasileiros estamos dispostos a levar às ultimas consequências. Basta isso para não ter golpe porque eles (os que pregam o golpe) são frouxos, não aguentam a pressão das ruas.

O povo brasileiro vai para a rua para garantir a Democracia. É preciso que Dilma se reconcilie com o povo brasileiro, e isso significa tomar outro caminho na gestão da economia e da política.

O Caralho-de-Asa

O Caralho-de-Asa

DuvivierPor Amorim Sangue Novo

Não sei se devo classificar o texto abaixo como uma sátira, um comentário humorístico ou uma crônica, porém é de uma inegável e sutil inteligência;

Os termos em inglês, que não me atrevo a traduzir para não macular a “obra”, se encaixam perfeita no contexto.

Gregório Duvivier ainda demonstra excelente conhecimento de história, sem contar que declina diversos apelidos atribuídos ao Satanás (veja outros) e, confesso, não sabia que um deles é o Caralho-de-Asa.

Duvivier: Cunha, o ‘Caralho-de-Asa’

Você conhece. Você confia. Please allow me to introduce myself. My name is Cunha, mas pode me chamar de Cramunhão, de Sete-Pele, Coisa-Ruim, Cão-Tinhoso, Cabrunco, Gota-Serena, Caralho-de-Asa, Sinteco Gelado. Escrevo porque tem uma garotada por aí que está achando que eu vou cair. Mua-ha-há (difícil digitar risada malévola). Meninada, vamos ter uma a aula de história? Eba. Vamos!

Sou muito, mas muito mais antigo do que vocês pensam. Cheguei aqui há uns 500 anos, na primeira chacina de índios batizada de descobrimento. Lembra dos navios negreiros? My bad. Guerra do Paraguai? Sorry about that. Tiradentes? Eu que esquartejei aquele comuna safado. Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Canudos, eu que abafei a badernagem toda. Mua-ha-há.

Aí você me pergunta: “Como saber que você é você, príncipe das trevas?”. Dica: não procurem por um rabo pontudo, chifres, pele vermelha. Esse look é muito século 12. Dica: a-do-ro um terno cinzão. Com uma gravata azul-bebê.

Também não tenho partido, muito menos ideologia. Cuidava da polícia política do Vargas ao mesmo tempo em que tocava fogo na favela em nome do Lacerda. 1964? Check. Benário, Herzog, Paiva, Angel, Chico Mendes, Amarildo? Check, check, check. Carandiru? My fucking idea. Candelária? Me, good old me. Meu nome é Legião. Mas não adianta procurar legião no Face. No momento, atendo por outro nome.

(…)

Já protagonizei 20 escândalos de corrupção e não caí. Se vocês acham mesmo que é uma miserinha de US$ 5 milhões que vai me derrubar… Vocês definitivamente não me conhecem.

Publicado originalmente em sua coluna na Folha

Nota do Sem medo da verdade: Gregório Byington Duvivier é um ator, humorista, roteirista e escritor brasileiro. É também um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos e nos chamou a atenção com o post A privada e a bicicleta (veja)