“Quem tem tudo na mão não corre atrás!”

fagner e sergio moro - amorim

Por Amorim Sangue Novo
O cantor Fagner manda recado e agradece ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato.
Não acredito que os políticos entendam o recado

Biografia (Sérgio Moro)

Sérgio Fernando Moro é filho de Odete Starke Moro e Dalton Áureo Moro, ex-professor de geografia da Universidade Estadual de Maringá.1 Sérgio formou-se em direito pela Universidade Estadual de Maringá em 1995, tornando-se juiz federal em 1996.4 1 Cursou o programa para instrução de advogados da Harvard Law School e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro promovidos pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.1 Moro é casado e tem dois filhos.2 Atualmente, ministra aulas de processo penal na Universidade Federal do Paraná e comanda a operação Lava Jato.4

Moro já foi indicado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil para concorrer a vaga deixada por Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.5 Foi eleito o “Brasileiro do Ano de 2014” pela Isto É e um dos cem mais influentes do Brasil em 2014 pela Época.1 6 Na décima segunda edição do Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo, foi eleito a “Personalidade do Ano” de 2014 por seu trabalho frente às investigações da Lava Jato.

A verdade verdadeira não foi exposta… ainda

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Por Amorim Sangue Novo

A operação Zelotes me inspira a fazer um trocadilho, pois “É LOTES” e lotes de escândalos que aparecem todos os dias. Aliás, a palavra Zelotes me inspira a fazer diversos trocadilhos, por exemplo: enquanto o ZÉ povinho passa dificuldades os políticos desviam aos LOTES, mas o interessante é que, como se pode ler na matéria abaixo, estes escândalos nunca vieram á tona como agora.

Mas se formos “fuçar” iremos verificar muitos e muitos órgãos, entidades e empresas públicas e privadas, prefeituras e Câmaras estaduais e municipais que terão seus “segredos” descobertos.

Segredos como o famoso dez por cento, que agora já chega a superar trinta por cento, compras de materiais, remédios e outros que não chegam a serem entregues, outros que são superfaturados, “venda e compra” de vereadores e assessores, funcionários fantasmas, comissionados, diretores e outros cargos de confiança a título de nepotismo, ás vezes até apoiado por outros poderes e políticos e por aí vai.

Seria uma lista interminável de tipos de desvios e falcatruas, às vezes até aceita como normal por parte da população.

Um mau uso e aplicação do dinheiro público de forma deslavada e descarada.

Mas muitos dos que fiscalizam, ou deveria fiscalizar, fazem “vistas curtas” e a roda viva, continua e continuará viva, até que o povo se conscientize que político é um funcionário nosso, que merece nosso respeito, nunca o medo e, em assim sendo, do modo que foi colocado em seus postos podemos tirá-los, inclusive entrando em acordo.

Acordo este em que o povo entra com o pé e eles, os políticos, entram com a bunda.

A Operação Zelotes jamais teria ocorrido em um governo tucano

Essa Operação Zelotes, assim como a Lava Jato e outras tantos mil, jamais teria ocorrido em um governo tucano.

Repito: jamais.

Fui repórter durante todos os governos FHC e posso garantir: a condução da PF era absolutamente controlada pelos interesses do governo tucano, aí incluídos os aliados do PFL, atual DEM.

Só por isso, já dá para imaginar.

Na investigação do chamado Dossiê Cayman, que investiguei em Miami e na Jamaica, os delegados eram comandados, pessoalmente, pela então secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind. Até às Bahamas ela foi com eles.

Em 1998, o então diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, foi obrigado a esconder documentos que incriminavam o falecido ministro das Comunicações Sérgio Motta, o Serjão.

Ele, FHC, José Serra e Mário Covas eram acusados de possuir uma conta secreta no paraíso fiscal das Ilhas Cayman (na verdade, nas Bahamas), onde teriam colocado grana desviada das privatizações.

Os papéis eram falsos, mas, estranhamente, o governo entrou em desespero. A PF abriu dois inquéritos, agiu no subterrâneo e só depois da imprensa descobriu que o dossiê – vendido por três golpistas brasileiros a Fernando Collor e Paulo Maluf por 1 milhão de dólares – era falso.
Está no livro que escrevi a respeito, “Cayman: O Dossiê do Medo” (Record, 2002).

Um vexame.

O gado que foi tocado para as ruas, em 15 de março, para bradar contra a corrupção, deveria pensar um pouco mais sobre isso.

Do Movimento dos Sem Universidade direto para a graduação

Jaqueline

Por Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual
Negra, do extremo leste de São Paulo, ex-aluna de escola pública. São algumas das características de Jaqueline Ferreira da Costa, de 18 anos. Ela, no entanto, tem preferido se identificar de outra maneira desde janeiro deste ano: estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Depois de muita dedicação, a jovem que trabalhava nas ruas da cidade segurando placas de anúncios de apartamentos conquistou uma vaga em uma das universidades mais concorridas do país.

“Eu achava que nunca conseguiria entrar em uma federal, que não tinha nível para isso. Eu sabia que a minha escola não me preparava o suficiente. Foi uma alegria muito grande”, conta Jaqueline. Durante o ano passado, enquanto cursava o terceiro ano do ensino médio à noite, ela fez cursinho pelo Movimento dos Sem Universidade (MSU), que oferece pelo menos 1.200 vagas em diversos bairros da periferia de São Paulo. As aulas e o material didático são gratuitos. As inscrições estão abertas, pelo site www.msu.org.br. “Eu não tinha nem computador em casa, fui ver o resultado em um telecentro. Eu não acreditava que tinha sido aprovada.”

Com um ano inteiro de dedicação, ela dobrou sua nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em relação à primeira vez que tinha prestado a prova, em 2013, ainda como treineira. “Eu adorava as aulas de redação. Tanto que consegui passar de 400 pontos para 800 (em uma escala de 1.000 pontos). O tema foi publicidade infantil e eu estava super por dentro, porque tínhamos pesquisado e escrito sobre isso no cursinho”, conta. “Os professores eram estudantes da Universidade Federal do ABC, já perto de concluir o curso. Eu achava eles tão inteligentes que pensava que se tivesse que ser assim para passar nunca ia conseguir. Mas estou aqui.”

Desde 2010, o Enem tem sido a principal forma de ingresso nas universidades federais e nos institutos tecnológicos, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), uma estratégia do Ministério da Educação para democratizar o acesso à educação superior pública. Metade das vagas é reservada, desde 2012, para estudantes que cursaram o ensino médio integralmente em escola pública, pela Lei de Cotas.

Atualmente, 40% dos estudantes das universidades federais e 46% dos alunos dos institutos federais de tecnologia são oriundos da escola pública. Só entre 2013 e 2014, o total de vagas nas universidades federais cresceu 9,8%, sendo que a oferta para cotistas cresceu 38%, de acordo com o Ministério da Educação. “Decidi focar só no Enem porque me daria oportunidade em todas as federais. Fui a primeira da minha família a estudar em uma universidade pública. Era um grande sonho. Tenho uma prima que também conseguiu estudar Pedagogia com bolsa integral do Prouni. É um orgulho para a família”, conta Jaqueline.

Filha do meio de uma auxiliar de limpeza e de um autônomo, e com renda familiar de R$ 1.000, Jaqueline trabalhou durante um ano segurando placas de anúncios de empreendimentos imobiliários nas ruas da cidade para ajudar a mãe nos gastos com seu estudo. “Trabalhava de sábado e domingo e ganhava R$ 35 por dia, mas era muito ruim: tinha que ficar oito horas no sol, em lugares que muitas vezes não tinha nenhum comércio perto. Não dava nem para ir ao banheiro. O bom era que eu usava esse tempo para ler e estudar”, conta a fã de Sherlock Holmes e de livros sobre a Segunda Guerra Mundial.

Desde que foi aprovada, a vida mudou totalmente: ela saiu da casa dos pais e passou a viver um quarto em república estudantil com mais 15 meninas em Guarulhos, onde está localizado o campus da Unifesp. “Minha mãe ficou muito feliz, mas depois de receber a notícia começou a calcular o quanto gastaríamos. Hoje, ela tem gasto mais comigo do que com toda a família.” Jaqueline aguarda uma bolsa nos programas de permanência estudantil do governo federal, que oferecem auxílio para moradia, alimentação e transporte. “Tudo tem sido muito grande. Se esse não for o maior momento de aprendizagem da minha vida não sei qual mais será.”

As mudanças também vêm de dentro: “Tive só um mês de aulas, mas já comecei a ler os livros que os professores indicaram para o semestre. Eu leio e digo: caramba! Isso se encaixa na minha vida! Eu me reconheço aqui. Já me vejo, daqui a quatro anos, uma socióloga muito crítica”, diz Jaqueline, que demonstra um interesse especial pela área de antropologia. “O pessoal aqui é muito diferente dos meus amigos da escola. Eles têm a cabeça aberta para muitas coisas, mas para outras não. Às vezes, são um pouco distantes da minha realidade. Mas também é um processo sociológico: o estranhamento e depois a compreensão”, analisa a futura cientista social.

Publicado originalmente no Brasil/247